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About: Just my tumblr to post my jobs and likes. Not all of them, but the ones I do want. Also some texts (most in brasilian portuguese) Havfun and folow me here and in twitter (especially if you're brazilian like me).

"Uma Pedra" theme by Rike Catalani. Powered by Tumblr.
noite

Lá se vai mais uma noite que correu solta sem coleira, com suas mandíbulas brilhantes, com dentes frios. Deixou uma marca da pata, fina e elegante, bem no meio do meu caminho. Houve já as que deixaram pegadas maiores e mais robustas. Mas nunca uma tão certa. Como se devolvesse na mesma medida com assombrosa precisão a cicatriz deixada pelo meu próprio andar. 

Não adianta gritar, pois a noite é surda e taciturna. Dessas que só se compreende quando é abraçado pela escuridão e que entende só quem por ela foi pisado. Porque sou eu o caminho e sou eu o observador e porque esta anda por mim assim como anda dentro de mim. Como único companheiro o tempo, ainda flutua levemente.

Tempo ainda mais sutil, porque cura devagar e cobra por segundo o seu trabalho. Cada segundo é voraz e me devora com os mesmos dentes da noite. Que me observe por detrás dos meus vícios ou minhas virtudes, sua natureza é a mesma: patrona de meus ombros, caídos e sem ânimo. 

A única alma amiga até a alvorada.


ária do amor perfeito

Um meio asiático. Olhos meio puxados, corpo liso, não alto, não baixo. Magro. Braquelo. Não, mais moreno. Médio. Cabelos lisos, negros. Pensando bem, meio cheinho, quero poder apertar. Não, volta - mais magro é melhor. Moreno, sobrancelhas fortes, expressão perdida. Uma cara de não sei onde, pra não sei o quê, bem próxima do desentendimento. Mas não bobo, quero esperto, astuto. Taciturno, mais calado. Espera, pode ser mais falante, gosto de conversa. Pés, pequenos, alguém que use sapatos femininos às vezes. Melhor, pés grandes, assim posso roubar seus chinelos pra me sentir criança de novo. Costas largas, cintura fina. Pernas compridas, frágeis, mas ágeis. Um passado turvo, do qual não fala muito. Uma vida de fatos contadas bem devagar. Sem papo de pessoas que já foram. Passagens de livros decoradas, personagens de série icônicos, desenhos perdidos. Uma parede do quarto rabiscada. Bebedeira, meio grogue. Páginas de livro dobradas, um caderno mastigado pelo cachorro. Cachorro que morreu, agora tem um gato. Vó, tia, mãe. Sem pai. Sala espaçosa, poucos móveis, um sofá grande e confortável. Abraços quentes no calor, mais quentes no frio. Sacada, neblina de manhãzinha. Café na cama. Barba por fazer - importante. Sorriso amarelado pra horas de nervosismo. Que me deixe, me faça chorar. Depois volte chorando. Perdido, confuso, triste. Quero poder animar alguém. Que goste das minhas brincadeiras, que me ache um completo idiota. Que ame idiotas. Meias de cano alto, felpudas e quentes. Reclamações por causa do calor, sem camisa. Filmes perdidos  por sono, eu gosto de ter meu tempo enquanto ele dorme. Que ame vídeo-games, e que me deixe estragar todos eles. Cabelos curtos, médios e grandes. Chapéus, toucas, muitas toucas, quero poder pegar umas emprestadas. Bafo de morango, ele ama morangos. Eu prefiro melão. Um pote enorme de melões cortados na geladeira e um bilhete escrito às pressas. Sem sentimentalismos, mas romântico. Quinze mensagens minhas no celular, nenhuma respondida. Sumir, me deixar preocupado, me fazer chorar de novo. Não é justo. Quinze mensagens dele no meu celular. Nenhuma respondida. Volta conturbada. Um mês na Argentina, um mês em Londres, uma vida na Itália. Cuecas coloridas, largas, gastas. Cuecas novas. Camisetas largas, sem crises de moda. Laranja, muito laranja. Um pouco de magenta. Marrom, verde, amarelo… rosa? Uma tatuagem escondida, igual à minha. Um significado. Que seja simpático, mas não demais. A cena no final é sempre minha. Não fale besteiras, não diga absurdos. Que não seja super consciente. Subentendido. Um funeral de família sob a garôa. Dezoito caixas de chocolates para Dezoito primaveras juntos. Eu tiro minhas roupas, e não existe vergonha. Um pouco de pudor é bom. Pensando bem, sem pudor só a sós. Todo mundo sabe, mas ninguém sabe de nada. Eu não olho pra ele, eu me perco nele. Ele se perde em mim. Ele é distante, eu sou fechado. Não, melhor não. Que descolora o cabelo um dia, que fique ridículo. Pinte de rosa. Seja demitido. Fique sem dinheiro, depois fique rico. Depois volte ao normal de novo. Descolora o cabelo de novo. Tem que amar minha comida - isso é importante. Engordar, emagrecer, engordar de novo, emagrecer de novo. Isso tudo coisa de três quilos. Que toque um instrumento que ninguém toque. Que me toque. Lábios falsos, como os meus. Orelhas pequeninas. Olheiras enormes. Um estrabismo bem leve. Bem leve. Dedos compridos e finos, como os meus. Unhas roídas. Broncas minhas, birras minhas. Pintas pelo corpo. Nada de perfume. Que ele não tenha cheiro, mas que cheire a torta de limão. Que adore minha irmã. Aspirações artísticas. Apenas aspirações? Não, um artista. Que me ensine muito e aprenda muito de mim. Uma garrafa de amarula às três da madrugada. Mexico, muito méxico! Pop, rock, indie, carimbó. Youtube, claro! Todos os vídeos mais vistos. Melhor, os que eu mais vejo. Coca-colas buscadas em caráter de emergência. Café, chá, leite, sucrilhos, suco de laranja - natural. Preciso de goste de dançar também. Aceita cartão?


"filho, não se perde"

Porque não se morre no caminho. No caminho se renasce. O que mora em duas cidade, na realidade em nenhuma mora. Porque pra elas já não se volta e não se vai. Não se sabe mais sobre o ir e vir. Pra quem não vê mais o lar em físico, só resta as memórias do passado. Umas morrem, não existem mais, são por si somente memórias. Outras são mais vivas, porém nunca como se espera. Resta o lugar-comum e extingue-se o comum-lugar. Mora-se e morre-se no coração de quem deixa e encontra. Talvez esse seja o destino de quem já não sabe do seus pertences. A sina de um terminal. Pertence, não pertence. O pertencer não te cabe, porque já não se sabe onde ele se encaixa. Certamente tem parentes, mas sua é mãe agora é seu caminho. Sua mãe são suas estradas, suas milhas. Vive de céu, mar e de chão. Quiçá, vive de fome sem vontade de comer. O que parte pra isso não se encontra mais como antes, pois seu indivíduo agora é como uma meia velha que não serve mais pelo tempo que ficou nos fundos esquecidos de uma gaveta. Quem vive assim, sem saber se chegou ou se ainda vai, não vive nem no destino nem n’onde parte. Não vive exposto e nem escondido. Está sempre de passagem. Quem vive cá e lá, não vive nem lá nem cá. A verdadeira casa do peregrino é a trilha.


O mar quando quebra na praia… #old #sea

O mar quando quebra na praia… #old #sea

Dente de Leão.

Dente de Leão.